Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV — DANTE
Olhei para o relógio discretamente; estava no meio de uma reunião com meus representantes, os que cuidavam dos negócios do clã. A verdade era que detestava essa parte burocrática. Queria ação. Precisava dela. E hoje iria participar de uma corrida — não pelo dinheiro, mas pela sensação. Era errado, sim, era. Mas meu sangue pedia por isso. — Alfa, o que o senhor tem a dizer? — perguntou um dos representantes. Olhei para o meu Beta, Lorenzo, que assentiu, entendendo que deveria falar por mim. — O Alfa avaliará primeiro se o empreendimento trará algum benefício real para o clã. — Isso mesmo. E creio que essa reunião está encerrada por hoje — concluí. Todos assentiram. Me levantei e já fui me despedindo. Não perdi tempo: fui direto ao meu quarto, tirando a roupa social. Tomei um banho rápido, vesti uma camisa preta e uma calça jeans escura. Nem me preocupei em pentear os cabelos; apenas os sequei com a toalha e já me sentia pronto para a ação. Quando abri a porta, me deparei com Lorenzo do lado de fora, com a mão erguida, prestes a bater. Ele a abaixou rapidamente. — Alfa… perdão pelo incômodo… O senhor retornará hoje? — Não sei… Mas aviso quando estiver voltando — falei, enquanto vestia a jaqueta de couro e colocava os óculos escuros. Ao chegar ao carro, um sorriso sombrio surgiu em meu rosto. Liguei o motor, que rugiu forte, e a música pesada começou a tocar. Acelerei e o veículo saiu disparado pela estrada de pedras; ao chegar à rodovia, apertei o acelerador até o fundo, e os pneus cantaram no asfalto enquanto eu seguia em direção à cidade. *** Quando cheguei ao local do evento, já havia muita gente reunida. Entre eles, lobos de outros clãs — mas o que me irritou foi ver aquele líder fajuto dos renegados, que se achava o dono da região. — Olha só quem apareceu… Você não tem um território para administrar? — provocou Tom, com desdém. — Tenho. Mas não perderia a oportunidade de jogar poeira na sua cara — retruquei. Ele rosnou, mas ficou calado. Algumas fêmeas me olharam com cobiça; sorri de volta para elas. Gostava da atenção, dos jogos de sedução, mas mantinha todas à distância. Era mais fácil assim. Apesar dos comentários dos mais velhos do clã, que achavam que já era hora de selar alianças e escolher uma Luna, isso não me incomodava nem um pouco. Outro Alfa, Aiden, já havia cedido às pressões e só passou estresse. Jamais deixaria uma companheira ditar a minha vida. Cumpria meu papel como Alfa, mas não permitiria que ninguém viesse colocar uma coleira em mim. Quando chegou a hora, entrei no carro junto com os outros competidores e aguardei a garota balançar a bandeira. No instante em que ela desceu a bandeira, saí em disparada. Fiz cada curva com precisão, vendo o esforço dos outros para tentar me acompanhar. Passei todos eles com facilidade — certamente ganharia o prêmio e uma boa quantia. Ao passar ao lado do carro de Tom, ele me olhou com ódio. Ergui a mão e mostrei o dedo do meio, sorrindo debochado. Fiz a última curva com maestria e ultrapassei a fita de chegada em primeiro lugar. Saí do carro e fui recebido por gritos de euforia, o som de champanhe sendo aberta e a voz do locutor em êxtase. Era disso que eu precisava. Do barulho, da velocidade, da sensação de estar vivo. Mas então escutei um rosnado furioso. Ao me virar, vi Tom me olhando com os olhos dourados de raiva. — Você roubou! — gritou, apertando os punhos. — Desculpa, mas não preciso disso. Aceite que perdeu — falei, sem esconder o quanto achava tudo aquilo ridículo. — Quero uma revanche! — exigiu ele. Uma ideia sombria passou pela minha mente. — Bem… eu proponho uma luta. Seu rosto empalideceu de imediato. — Isso não é justo! Você é um maldito Alfa! — Já que estou de bom humor… pode escolher mais quatro homens para lutar ao seu lado — sorri. — Se ganharem, ficam com o meu carro e todo o prêmio. Vi a ganância brilhar nos olhos dele. — Feito! Ganharia fácil desse idiota, e ainda quebraria todos os seus dentes de brinde. — Hoje à noite, no meu território — disse ele. — Lady vai guiar você até lá. Ele apontou para uma renegada de cabelos tingidos da cor rosa e óculos escuros. Parecia problema, mas não me importei. A vitória já estava garantida.






