Capítulo 28

Atendi com a voz arrastada, ainda bocejando:

— Alô...?

— Põe um agasalho. Me encontra aqui embaixo. — a voz dele veio firme, baixa.

— Hã? — franzi o cenho, sentando devagar.

— Tô te esperando. Lá fora. — respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Me levantei num impulso, andando até a janela. A luz da varanda cortava a escuridão da rua. Ele estava ali. Escorado no carro, mãos nos bolsos, duas lanternas no chão.

— Você tá maluco? É madrugada, querido. — resmunguei, ainda sonolenta.

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