Mundo de ficçãoIniciar sessãoCAPÍTULO 3
EVANDER Inclinei-me ainda mais na direção dela, fazendo com que o meu hálito quente tocasse a sua orelha por um breve instante, mas as palavras que saíram da minha boca eram puramente frias, calculadas e desprovidas de qualquer carinho. A raiva contida vibrava em meu peito rígido, deixando perfeitamente claro para a minha nova esposa que aquela afronta pública havia atingido o limite absoluto da minha paciência. Eu precisava manter as aparências diante dos fotógrafos que ainda buscavam nossos ângulos, mas a minha mente transbravam uma fúria perigosa contra aquela intrusa. — Essa mulher está respondendo a um processo severo e sabe muito bem que não deveria estar aqui — sussurrei para ela, a voz tensa, quase inaudível para qualquer convidado que passasse perto de nós. — Ela só pode estar sendo paga por alguém para infernizar a minha vida e desestabilizar a minha família neste momento. Se ela continuar com essa brincadeira de mau gosto, ela vai presa e eu garanto que a carreira dela vai ser destruída de vez. Sem hesitar nem mais um segundo, mudei minha postura sutilmente, mantendo a elegância, e levantei a mão direita em um sinal imperativo para o chefe da segurança da festa. Dois homens engravatados, de porte atlético e expressão completamente impessoal, aproximaram-se imediatamente, misturando-se com habilidade entre os convidados e os arranjos de flores brancas para não chamar a atenção dos curiosos. — Tirem essa mulher daqui imediatamente, ela não foi convidada para este casamento — ordenei em um tom de voz cortante, mantendo os meus olhos escuros fixos na silhueta distante daquela atriz. — Mas antes de colocarem ela para fora, perguntem quem foi o irresponsável que a trouxe. Ela vai tentar arrumar um escândalo se for pressionada pelos fundos, com certeza tem alguém pagando muito alto para ela fazer esse teatrinho ridículo aqui hoje. Os seguranças assentiram com um aceno firme e sincronizado de cabeça, compreendendo a gravidade da situação e o perigo de um vazamento para a imprensa. — Sim, senhor. Faremos isso agora mesmo com a máxima discrição possível — respondeu o chefe da equipe, afastando-se logo em seguida para cumprir minhas ordens. Nesse exato momento, meu pai se aproximou a passos largos e pesados, quebrando o protocolo de sorrisos da recepção com um semblante fechado e uma fúria mal disfarçada no olhar veterano. Ele parou bem ao nosso lado, cruzando os braços com imponência e pigarreando alto antes de soltar as palavras com um desprezo profundo que fez o ambiente ao redor parecer ainda mais pesado. — O que é que essa maldita está fazendo aqui no seu casamento, Evander? — o velho perguntou, a voz áspera, contida entre os dentes para que os microfones distantes não captassem o áudio. — Quem foi o estúpido que convidou essa mulher para um evento dessa magnitude? — Não sei, papai — respondi de imediato, ajeitando o terno sob medida enquanto tentava conter a raiva que subia pelo meu pescoço. — A minha esposa acabou de me fazer essa mesma pergunta assim que a avistou no salão, e eu já estou tomando todas as providências cabíveis com a equipe de segurança para retirá-la. Não demorou mais do que alguns minutos angustiantes para que um dos seguranças retornasse do meio do salão, aproximando-se do meu pai com extrema cautela e os olhos atentos ao redor. O homem de terno escuro se curvou levemente na direção do patriarca e falou em um tom de segredo absoluto, revelando a informação que mudaria completamente o rumo estratégico daquela noite. — Senhor, nós descobrimos a origem do problema após uma verificação rápida na lista da entrada — informou o segurança, mantendo a voz baixa. — Ela não entrou sozinha e nem falsificou o convite. Ela veio acompanhada de um dos convidados oficiais do casamento… O empresário Noel, da Maior Rivieras. Meu pai respirou fundo, o peito subindo e descendo com força enquanto seus olhos faiscavam de ódio puro ao absorver o golpe planejado de seu maior rival político e comercial. A simples menção ao nome de Noel pareceu paralisar as minhas ações agressivas e as dele por um instante, transformando a impulsividade em puro cálculo empresarial. — Só podia ser aquele canalha do Noel para ficar andando com essa maldita e trazê-la de propósito para um casamento familiar, apenas para nos desestabilizar — meu pai resmungou, a mandíbula travada de ódio. — Agora a situação mudou de figura. Nós simplesmente não podemos retirar essa infeliz da festa de maneira forçada. Se fizermos isso agora, vai ser considerado uma ofensa direta e pública ao Noel. O patriarca fez uma longa pausa, olhando fixamente para mim, pesando o prejuízo financeiro milionário contra o orgulho ferido da nossa família diante de todos aqueles convidados influentes da alta sociedade. — E você sabe muito bem que o Noel é uma pessoa extremamente influente no setor industrial — continuou o velho, o tom de voz mudando para aquela frieza comercial que ditava todas as nossas ações. — Nós precisamos desesperadamente dos metais da metalúrgica dele para dar andamento às nossas próximas grandes construções. Não podemos romper esse laço agora por causa de um capricho. Vamos ter que engolir esse sapo por enquanto. Vamos todos para a nossa mesa e ajam naturalmente. Apenas assenti com a cabeça, aceitando a derrota temporária em nome dos negócios bilionários da família, e me virei na direção da minha esposa para guiá-la até o nosso lugar de destaque. Ela, no entanto, me encarava com um olhar de profunda indignação e desprezo, mantendo os braços rigidamente cruzados sobre o vestido de noiva, recusando-se a aceitar aquela humilhação calada como se fosse um mero objeto decorativo. Pelo brilho surpreso e tenso que surgiu em seus próprios olhos ao encará-la de volta, já deu para perceber a realidade: a minha nova esposa de contrato não era uma coitada submissa ou manipulável, mas sim uma pessoa com uma personalidade forte, firme e perigosa para os meus planos.






