6

Quinn e Faye sumiram de vista. Provavelmente estão ali, em algum canto do salão, batendo papo com aquele convidado mais novo, me deixando aqui, sozinha, parecendo uma estátua no meio de tanta gente. É uma sensação meio estranha, como se eu estivesse em um palco onde ninguém realmente me vê, mas ao mesmo tempo sinto todos os olhares curiosos. Pego uma taça de champanhe de um garçom que passa, uma pequena desculpa para ter as mãos ocupadas, e me afasto, buscando refúgio no fundo do salão, onde a luz é um pouco mais suave e o burburinho, menos intenso.

Fico ali, apenas observando o movimento, tentando parecer casual, mas por dentro estou fazendo um esforço enorme para desviar o olhar de qualquer um que pareça querer me encarar. Não quero perguntas, não quero sorrisos forçados de pena. Apenas a tranquilidade de ser invisível, se possível. Mas a vida tem um jeito engraçado de nos puxar de volta para o que tentamos evitar. Minha visão se cruza com um par de olhos verdes que conheço bem demais. Aquela tonalidade específica, o jeito familiar de me fitar. É ele.

Mason.

É como se o mundo inteiro parasse de repente. O som da orquestra, as risadas, o tilintar dos copos – tudo some por uma fração de segundo. Sete anos se passaram desde a última vez que senti algo assim, mas a atração, aquela corrente elétrica silenciosa, ainda está ali, forte como sempre. Os olhos dele percorrem meu corpo, uma varredura lenta e intencional, antes de se fixarem novamente no meu rosto. Ele não diz nada, não faz um movimento sequer, apenas me encara, e nesse olhar, sinto um universo de coisas não ditas. Mas então, a magia é quebrada de forma abrupta quando Alexa se aproxima, um sorriso radiante no rosto, dirigindo-se a ele.

Desvio meu olhar do dele para ela, e a imagem de uma Alexa visivelmente grávida me atinge como um soco no estômago. Meus olhos começam a arder, uma sensação quente e dolorosa, e sinto as lágrimas ameaçarem escorrer, mas me recuso a deixá-las cair. Por mais que doa, não consigo tirar os olhos dela, e ele também não. Por um instante, parece que estamos presos em um transe. Alexa percebe a direção do olhar dele, e antes que ela possa me flagrar ali, observando os dois, eu me viro rapidamente, fingindo grande interesse na beleza de todos ao redor, como se estivesse apenas admirando a festa, e não tentando desesperadamente esconder o nó na garganta.

Uma sombra alta recai sobre mim, e quando levanto os olhos, vejo Noel, meu irmão, com um semblante visivelmente irritado. Ele nem precisa perguntar. “Você não está se divertindo nem um pouco”, ele afirma, sem rodeios, com aquela franqueza típica dele.

Reviro os olhos, um gesto que fazemos um para o outro desde a infância. “Você deveria estar com sua parceira”, murmuro, mais por hábito do que por real desejo de que ele se afaste.

Ele balança a cabeça. “Ela está colocando o papo em dia com a irmã mais velha e o pai, então eu me encarreguei de fazer você se divertir enquanto ela está ocupada”, ele explica, a voz um misto de dever e determinação.

“E como você faria isso, exatamente?”, pergunto, um tom cético na voz, porque sei que, quando Noel se propõe a algo, ele vai até o fim.

Ele sorri maliciosamente. “Arrastando você para socializar e depois para dançar, claro”, responde, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Eu olho ao redor, um medo genuíno me apertando o peito. Conversar com todas aquelas pessoas significa enfrentar as inevitáveis perguntas sobre onde estive por tanto tempo e por que voltei agora. É um passado que me causa vergonha e desconforto, algo que não estou pronta para desenterrar.

Noel, sempre atento, parece perceber minha hesitação. “Relaxa, não vou sair do seu lado. Primeiro, vamos dançar”, ele diz, e antes que eu possa sequer protestar, ele me puxa gentilmente, mas com firmeza, em direção à pista de dança.

“Ah, meu Deus, Noel, eu consigo andar!”, resmungo em voz baixa, sentindo o peso dos olhares curiosos das pessoas enquanto ele praticamente me arrasta.

Ele apenas ri, debochado. “Você não teria aceitado se eu não tivesse te arrastado, praticamente”, ele zomba, e sei que ele está certo.

A pista de dança já está cheia, com casais se movendo no ritmo da música. Algumas pessoas abrem caminho para nós, e quando Noel me guia até o centro, ele me lança um sorriso triunfante, sabendo que venceu a primeira batalha. As pessoas nos observam, e embora tentem disfarçar, a curiosidade sobre os últimos anos e sobre o meu retorno é quase palpável.

Ele me puxa para mais perto, colocando o braço em volta da minha cintura, enquanto eu coloco os meus ombros em volta dos dele, e começamos a nos mover no ritmo da música. É um conforto familiar, uma espécie de escudo contra o mundo exterior. “Você parecia uma desgraçada, parada ali sozinha, bebendo champanhe e olhando para o vazio”, ele comenta, sorrindo.

“Uma linda desgraçada”, eu o corrijo, uma pequena pontada de orgulho retornando ao meu peito.

Ele gargalha alto, um som que ecoa pelo salão e atrai ainda mais a atenção. “Finalmente é bom te ver falando bobagens”, ele murmura, inclinando a cabeça para perto, porque percebeu que todos parecem interessados e determinados a ouvir nossa conversa com seus ouvidos de lobo, que são bem mais aguçados que os dos humanos.

“Eu me sinto tão desconfortável e deslocada”, eu digo, sem me importar se as pessoas estão ouvindo, porque a honestidade me escapa antes que eu possa impedi-la. “Quero dizer, sinceramente, eu poderia muito bem me recolher cedo hoje e me aninhar na minha cama, lendo um romance do Dan Brown.”

Ele me aperta mais forte. “Você, minha querida irmãzinha, vai ficar até o fim desta noite”, ele declara, com aquela determinação inabalável de irmão mais velho.

“Obedecerei às suas ordens, ó poderoso Noel”, eu zombo, revirando os olhos novamente, mas com um sorriso nos lábios.

“Quando eu for Alfa, vou te banir”, ele brinca, e por um segundo, posso imaginar o caos que seria sob o comando dele.

Bato na mão dele, e ele faz um beicinho exagerado, uma expressão de criança birrenta que sempre me faz rir.

“Ou eu vou fazer você ficar aqui nesta matilha e ser a minha limpador de bumbum pessoal”, ele continua, levando a brincadeira a um nível de nojo.

“Você é nojento”, eu o repreendo, rindo.

“Ou eu poderia te jogar na masmorra e impedir que você saia”, ele ameaça, os olhos brilhando de diversão.

“Sabe, fugir parece uma opção bem melhor”, declaro, já imaginando a fuga épica que eu teria que planejar.

“Pshhhhh, a segurança aqui é rigorosa demais”, ele zomba, com um ar de superioridade.

“Esta matilha vai descer ladeira abaixo quando você for Alfa”, eu provoco, rindo abertamente da sua cara de desânimo.

“Não acredito que você tem tão pouca fé em mim”, ele murmura, me lançando um olhar de desaprovação fingida.

“Não é fé, eu posso ver o futuro”, eu digo, com um aceno dramático e outro revirar de olhos.

“Não tem como poderes incríveis passarem por mim e irem para você. Eu sou o melhor gêmeo”, ele diz, todo metido a besta, empinando o nariz.

“Melhor gêmeo? Alguém tem mentido para você ultimamente”, eu provoco, rindo ainda mais.

“Cansei, vou te deixar para ficar como uma desgraçada lá no fundo”, ele ameaça, fingindo que vai me soltar.

“Ah, não, você não vai. Você me forçou a vir para cá e agora eu estou gostando de dançar, então você está grudado em mim”, eu digo, e o abraço mais forte, só para garantir que ele não esteja realmente brincando em ir embora.

“Você ameaçou seu futuro Alfa, posso te garantir que vai ter uma cela com o seu nome gravado”, ele contra-ataca, rindo.

“Você é uma rainha do drama, como a Alia sobrevive com você?”, pergunto, curiosa.

“Ele é um bebê chorão”, ouço a voz de Alia dizer atrás de mim, de repente.

Eu me viro para vê-la dançando com o pai, com um sorriso divertido.

“Bebê!”, Noel reclama, como uma criança.

“Bebê chorão”, ela repete, revirando os olhos e continuando a dançar com o pai, sem dar a mínima para a reclamação de Noel.

“Todos vocês virão implorar por mim, eu juro”, Noel diz, como se fosse um fato inquestionável, inflado por sua própria certeza.

“Você não consegue viver sem mim”, eu digo, confiante.

Ele bufa e ri, “É Odetta ao contrário, isso sim”.

“Eu me lembro de uma certa garota de dezesseesseis anos…”, começo a dizer, prestes a revelar uma história embaraçosa, mas Noel rapidamente cobre minha boca com a mão e me arrasta para fora da pista de dança, a urgência em seus movimentos inconfundível.

As pessoas nos olham, claro, mas eu apenas ignoro. Ele me leva para um canto mais tranquilo do salão e só tira a mão da minha boca depois que eu a lamo, um pequeno ato de retaliação e diversão.

Luto para segurar o riso, mas é quase impossível. “Todo mundo aqui tem ouvidos de lobisomem, eles poderiam ter ouvido isso”, ele diz, a voz baixa e nervosa.

Eu rio ainda mais alto da sua expressão de pânico.

“Vou te deixar, Odetta, se você não parar de rir”, ele ameaça, a paciência se esgotando.

“Está bem, está bem”, eu digo, tentando controlar a respiração. Estou rindo e sorrindo tanto que minhas bochechas doem, mas simplesmente não consigo parar.

“Odetta”, ele adverte, o tom sério desta vez.

“Sinto muito, mas não consigo parar”, eu digo, a gargalhada escapando de mim, uma alegria quase histérica que me consome por dentro.

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