Aurora
A luz da manhã filtrava-se preguiçosamente pelas cortinas tecidas, lançando um tom dourado sobre as paredes de madeira da nossa casa. Eu sempre amei essa hora — quando o mundo ainda não tinha decidido se ia despertar ou desabar, quando tudo parecia suspenso num suspiro. Mas, naquele dia, aquela suavidade passou despercebida por mim. Meu corpo estava pesado. Não era o cansaço de noites sem dormir nem a rotina de uma mãe recente — era algo mais profundo, algo que queimava baixo sob a pele.