Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 5
Manuela Rossi Estava na rua já quando a janela se abriu e ela gritou de lá. — Só me promete uma coisa minha filha, por tudo que é mais sagrado nesse mundo. — O quê? — Não confie em ninguém daquela família, ninguém Manuela. Meu coração apertou. — Mãe... — Promete. Havia tanto medo na voz dela, que não consegui discutir. — Eu prometo mãe, eu prometo. Helena assentiu. Mas não me pareceu convencida. Horas depois... A caminhonete enviada por Vicente para me pegar na rodoviária atravessava uma estrada cercada por campos intermináveis. Olhei pela janela. Era verde, verde e mais verde. Parecia não existir fim pra lado nenhum que eu olhava. Nunca tinha visto tanta terra. Tanto espaço. Tanta riqueza. Meu celular vibrou. Mensagem de Vicente. "Imagino que esteja chegando" — Chegaremos em vinte minutos. Como se eu ouvisse a mensagem o rapaz que dirigia falou no mesmo instante. Meu estômago se revirou. Vinte minutos. Meu Deus, em vinte minutos eu pisaria no lugar onde meu pai viveu. No lugar onde talvez tudo isso tivesse começado. E também terminado, ou quase... Pelo menos não dá melhor maneira possível... Fechei os olhos. Tentando controlar a ansiedade que me dominava naquele momento. Mas sem sucesso algum... **Fazenda Montenegro.** — Ela está vindo, chegará logo. O silêncio tomou conta da sala. Isis Montenegro encarou Vicente como se ele tivesse perdido a sanidade. — Quem? — A senhorita Manuela Rossi está a caminho. Isis levantou lentamente. Elegante, impecável e perigosa. — E por qual motivo uma desconhecida pisaria nesta casa? Vicente sustentou seu olhar. — A senhora descobrirá durante a leitura do testamento. — Eu não gosto de surpresas. — Augusto gostava. Aquilo claramente não agradou Isis. Mais nada agradava. Especialmente desde a morte do marido. Ou pelo menos era isso que ela demonstrava. Marcos observava tudo em total silêncio. A fotografia de Manuela ainda estava sobre a mesa. A garota da exposição, filha perdida de Augusto. A palavra continuava parecendo absurda na mente dele. Parecia algo impossível. E mesmo assim ele sabia... Augusto jamais faria uma afirmação daquela sem provas. — Quando ela chega Vicente? Vicente olhou o relógio. — A qualquer momento. Marcos respirou fundo. Porque alguma coisa dentro dele dizia que aquela mulher mudaria tudo ali. Manuela Rossi Meu coração começou a acelerar quando os enormes portões de ferro apareceram ao longe. Fazenda Montenegro. As letras de metal brilhavam sob o sol. Engoli em seco. Meu Deus, era real. Era tudo real. O motorista reduziu a velocidade, eu observava atento cada detalhe. Os portões começaram a se abrir lentamente. E nesse momento eu senti medo. Medo de descobrir a verdade, e o pior de descobrir as mentiras. Um medo enorme de descobrir quem eu realmente era, de onde eu vinha, minha herança, e nem estou falando de dinheiro... A caminhonete por fim, atravessou os portões. E meu mundo parecia estar mudando de rota. Campos intermináveis surgiram diante dos meus olhos. Cavalos, gado, currais, funcionários. Eram máquinas, caminhões. Aquilo não parecia uma fazenda. Parecia uma cidade inteira. O reino de Augusto Montenegro. O homem que eu acabei de descobrir que era meu pai. Meu coração disparou novamente, juro que se eu não infartar nas próximas 24 horas eu vou ter certeza que tenho um coração de aço. A caminhonete parou diante da casa principal. Ou melhor... Da mansão principal. Porque chamar aquilo de casa seria um insulto. Peguei minha pequena mala. Respirei fundo. E desci. Foi então que percebi que não estava mais sozinha. Um homem alto saiu pela porta principal. Os olhos escuros encontraram os meus imediatamente. Meu coração falhou uma batida. Porque eu reconheci aquele rosto, ele já tinha me cativado antes. Na exposição, ele estava lá. Eu o vi observando Augusto, depois que falei com ele. Mas a expressão dele agora era diferente. Fria, hostil. Perigosamente hostil. Ele caminhou na minha direção. Sem sorrir. Sem desviar os olhos. Parando a poucos metros de mim. — Então você é a tal filha perdida. O desprezo na voz dele me atingiu como um tapa em cheio no rosto. Levantei o queixo. Tentando esconder o nervosismo. — E você é? Os olhos escuros me analisaram de cima a baixo. — Marcos Goulart. Meu estômago despencou. Porque aquele nome eu conhecia. Era o nome do homem que ele criou como filho, pelo que pesquisei na vinda. E esse homem tinha tudo a perder com a minha chegada, posso entender o ódio nos olhos e na voz dele. E pela forma como me encarava... Eu acabava de arrumar meu primeiro inimigo. Parabéns Manuela, mais um ponto pra sua mãe. Pensei comigo. Estendi a mão para o cumprimentar, que obviamente foi ignorada com sucesso... — Me acompanhe, a leitura já está atrasada pela sua demora, garota. Acho que se eu pudesse resumir isso em uma única palavra seria agonia...






