Mundo ficciónIniciar sesiónDepois de anos de sucesso profissional no exterior, Pedro Galardães volta ao Brasil para ficar no sítio de seus pais no interior de Minas Gerais. A temporada tranquila de descanso é interrompida de vez quando ele acaba descobrindo um segredo que pôs em risco a vida de todos os seus parentes. Os Galardães fazem parte de um clã que manipula a Essência – comumente chamada de magia. Pedro é o único que não demonstra a Essência e, por isso, seus pais nunca lhe revelaram a verdadeira origem da família. Não bastasse a dificuldade em digerir e entender as revelações, o escritor também descobre que o clã está sendo perseguido por um drenador, que já assassinou os parentes da Europa e agora se volta para os do Brasil. Como não possui Essência e, portanto, não pode ser rastreado por ela, Pedro parte em uma missão para angariar o apoio de outros clãs e proteger sua família. Sem nenhum traço de magia, o brasileiro deve usar a diplomacia se quiser voltar a ter a sua vida normal. Entretanto, ele mal sabe que não há volta quando alguém se envolve com os círculos políticos da Essência.
Leer másA origem da palavra magi remonta à época da Pérsia Antiga, quando Zoroastro foi o primeiro homem a se aprofundar nos estudos dos mistérios da Essência. A partir do Clã Valerius de Roma, o termo adaptou-se à língua latina: magus designava um único portador de Essência, enquanto magi era seu plural. Com o desenvolvimento do estudo da Essência, retomou-se o conceito primordial e as palavras foram unificadas em uma só, adquirindo o sentido mais filosófico inicialmente proposto que pode ser resumido da maneira seguinte:
Magi, como pode se perceber ao longo da obra, pode ser usado tanto para homens quanto para mulheres, tanto para um indivíduo quanto para um grupo, tanto como substantivo quanto como adjetivo. Essa noção de magi está presente no cerne da filosofia da Essência, quando um é compreendido como todos e quando todos são compreendidos como um só.
Os magi, regidos pelas regras da Essência, estão ligados e formam uma única matéria, uma única transcendentalidade que permeia tudo o que existe, pois a Essência é uma só e ao mesmo tempo são várias. Ainda que a palavra mundana “Essência” possa se alterar, magi foi o termo usado para descrever aqueles que, dentro da dimensão mortal, conseguiam entrar em contato direto com o éter superior, a Essência, cujo nome verdadeiro seria impossível de se pronunciar ou mesmo de se descobrir. Dessa forma, “magi” tenta se adequar aos padrões da denominação da Essência, que se reduz a um única forma, mas possui uma variedade infinita de sentidos e interpretações.
Logo anoiteceria. Ao fundo, escutava o som de ondas indo ao encontro das pedras. A brisa afagava suas bochechas, prenunciando o vento que se fortaleceria agora que a tarde caía. O sol, reduzido a um círculo laranja quase a tocar o horizonte, produzia uma miríade de tons rosa-alaranjados nas nuvens calmas sobre o céu azul. Março já havia começado, mas suas tão famosas águas que fechavam o verão ainda não haviam chegado. Pedro adorava observar o ocaso de seu apartamento, fosse da varanda do andar de baixo ou do terraço do andar de cima. Brincava com seu filho no chão frio da sacada, olhando por vezes pelo vidro da proteção a movimentação do mar, batendo com suas águas na ilha na direção de seu prédio. Seu filho era esperto, muito esperto para um bebê de quatro meses: encaixava velozmente os objetos de plásticos nos espaços correspondentes da casinha de brinquedo, demandando mais desafios com o olhar silencioso e o sorriso levado. Quando o pai ou a mãe uma vez deram-lhe
Eram meados de novembro. Sob o sol que já não aquecia mais como fizera no verão britânico, Pedro cavalgava cortando os campos de Armor em um dos corcéis dos Smiths. Aquela havia se tornado uma das atividades prediletas do brasileiro — lembrava-lhe instintivamente do seu sítio. Cavalgar não dava apenas a sensação de liberdade; o brasileiro também lembrava das vezes em que era pequeno demais para montar sozinho e seu avô, ainda vigoroso, ajudava-a a cavalgar. Recordava também das corridas que travara com seu pai Vladimir pela estrada do sítio, com o rio acompanhando ao lado, até chegarem na Rua da Padaria e no centro de Rio Azul. Modéstia à parte, Pedro ainda cavalgava muito bem. Logo na primeira vez que pediu para pegar um dos cavalos do estábulo do castelo, que ficava do lado de fora das muralhas, o brasileiro partiu em velocidade montado no animal robusto. Era como andar de bicicleta; nunca se esquecia. Dos cavalos de Armor, a maioria era bem amigável,
Após desjejuar rapidamente no salão principal, Pedro desceu as escadas em direção ao pátio do castelo. Olhou para o céu nublado daquela manhã fria — cuja temperatura magicamente não estava tão baixa como no restante do país. Cruzou os braços, afagou-os com suas mãos para se aquecer. Não havia sinal de Alyssa; a comitiva já deveria ter saído com ela de vassoura. O jovem guarda que o conduzira até a Sala Imperial se aproximou. — Eu me chamo Yan, a propósito — disse ele. — Minha função é ser tipo o seu monitor aqui, até você se acostumar com as coisas. A Imperatriz me designou ontem para isso. — Ah, prazer — respondeu Pedro, virando-se e estendendo a mão. — Você teria um celular para eu poder usar? Esqueci o meu nos Estados Unidos. — Providenciaremos um novo para você. Enquanto isso, pode usar o telefone que está dentro da gaveta da sua mesa de cabeceira. Ela está lacrada, mas eu posso abrir. — Ah, obrigado, vou lá então. O Galardães volt
Na manhã seguinte ao banquete dos Smiths, o brasileiro despertou. Um novo dia se iniciava — e que dia turbulento fora o anterior. Os flashes passaram-lhe rapidamente pelos pensamentos, como uma compilação do que fora feito, da aliança que fora selada. Se tudo corresse como planejado, a Força Condal estaria auxiliando o Parlamento provavelmente naquele instante e logo o drenador cairia. Lembrou-se do jantar. Após a saída dos condes, os convidados da mesa se sentiram deslocados, perturbados. Talbatus Smith, que já tinha uma expressão compenetrada, continuara a comer ignorando os outros; Amelia Valerius mexia os olhos de um lado para o outro, como se não soubesse para onde olhar com segurança; Ronald, por fim, parecia não gostar de ter sido colocado pela condessa naquela mesa — quanto mais ouvia o barulho do salão principal, mais se arrependia de não estar comendo e bebendo por lá. Alyssa olhava com pesar para Pedro, mas o comportamento da europeia Valerius lhe chamara mais a a
Último capítulo