POV de Mia
A palavra escapou antes que eu pudesse impedir: — Mamãe?
Os olhos dela se abriram lentamente. Eu vi aqueles olhos verdes familiares que eu tinha herdado. Deus. Eu quase tinha esquecido os olhos da mamãe. Agora estavam tão claros e focados pela primeira vez em anos. A mão dela procurou a minha, tremendo mas determinada.
— Oi, meu bem — ela sussurrou, a voz rouca de tanto tempo sem usar.
Eu não conseguia respirar. Não conseguia me mover. Depois de tantos meses de conversas unilaterais, ouvir a voz dela — realmente ouvir ela responder — parecia impossível.
Mamãe.
— Isso é real? — A pergunta escapou, pequena e assustada.
Os dedos da mamãe se apertaram ao redor dos meus.
— É real, querida. Estou aqui.
Isso me quebrou. Lágrimas transbordaram enquanto eu desabava contra ela, cuidadosa mesmo no meu desespero para não perturbar as linhas do soro. A mão livre dela subiu para acariciar meu cabelo, aquele gesto dolorosamente familiar do qual eu tinha sentido tanta falta.
— Shh