POV de Mia
— Mia.
A voz — aquela voz — me trouxe de volta à realidade com brusquidão chocante.
Virei a cabeça. Meus olhos se abriram para encontrar Kyle parado a poucos metros, sua expressão cautelosa mas sua postura hesitante.
A segunda vez.
— Você está me seguindo? — soltei.
— Não — ele gesticulou para um prédio visível logo além da borda do parque. — Minha reunião foi lá. Te vi da janela.
Eu queria acreditar que era outra coincidência, mas a improbabilidade estatística forçava a credulidade. Paris era grande demais, com muitos parques e muitos caminhos para esses encontros serem acaso.
Acho que estava com raiva.
— O que você quer, Kyle? — perguntei, de repente cansada dos jogos, das meias-verdades, da dança cuidadosa que vínhamos performando desde o divórcio.
Ele hesitou, então sentou ao meu lado, deixando uma distância cuidadosa entre nós. A proximidade dele enviou uma onda indesejada de consciência através de mim. Puramente subconsciente. Pelo perfume familiar da colônia