Mundo de ficçãoIniciar sessãoDamon):
Mais tarde, ao tentar entrar no quarto, ouço a voz de Sienna do outro lado da porta. — Ah, senhor Black... — sua voz falha e parece tão desconcertada que faz eu franzir o rosto e voltar a olhar para suas mãos. — Minhas mãos estão coladas nessa maçaneta e... não quer sair de jeito nenhum — murmura, agora envergonhada. Fecho os olhos, esfregando a têmpora. Miles fez isso, tenho certeza. Meio hesitante, chego perto dela, a uma distância razoável para minha própria segurança, e observo suas mãos presas na maçaneta. Me obrigo a tocar a sua mão, ignorando o meu desconforto, ao tentar tirar suas mãos dali, o que não funciona. Deve ter sido a cola mais potente, e já sei até onde ele pegou no meu escritório. — Tem muito tempo que está aqui? — pergunto, sentindo um pouco de preocupação, só um pouco, erguendo o olhar para ela. O seu rosto está corado e não sei nem dizer bem o porquê. — Uns quinze minutos, eu acho? Assinto e dou uma distância dela. — Isso não vai sair assim. Vou pegar uns produtos para tirar — comento. Sienna faz que sim com a cabeça. — Ok, só esperar um minuto e já volto. Desapareço do seu campo de visão e vou procurar uma acetona e um pano. Sei lidar com isso; afinal, sou um engenheiro e tenho que ter certos conhecimentos. Volto com o pano e a acetona, e Sienna desencosta a cabeça da porta. Me aproximo dela e coloco a acetona no pano. Passo ao redor das mãos e da maçaneta. A todo momento, sinto o olhar dela queimando em mim. Estou inquieto e esquisito, e só quero que essa cola saia logo da mão dela de uma vez para eu me afastar. — Obrigada — murmura assim que suas mãos se desprendem da maçaneta, me fazendo sentir aliviado. Parece que demorou uma eternidade. — Só estou limpando a sujeira do meu filho — digo, afiado. Ela pisca, parecendo desconcertada, e encara as próprias mãos, flexionando-as. — E você já tirou a tinta vermelha do cabelo da Harper? — minha raiva quanto a isso não era nem o fato de ela ter pintado o cabelo e colocado o piercing, mas sim não ter me pedido para fazer. Eu já fui adolescente, caramba. Já fiz coisas... Já até fiz uma tatuagem da qual me arrependi amargamente e fiz uma sessão a laser para remover. Mas tenho que pôr algum limite, coisa que nem eu mesmo sei como colocar. Normalmente, a Lily era boa nisso, eu era o tipo de pai bobo que deixava as crianças fazerem o que quisessem. — Ela não deixou tocar no cabelo dela — dá de ombros. Suspiro. — Bom, dá um jeito — sibilo. Suas sobrancelhas se franzem. — Não acha um pouco exagerado? Ela já fez. Não faz muita diferença. Ela só é uma adolescente, é normal pintar o cabelo e colocar piercings no nariz... A interrompo. — Não me ensine o que tenho que fazer ou não com a minha filha. Só faça o que eu mando, babá — as palavras saem amargas e em tom desprezativo da minha boca. Minha mandíbula se tensiona. Sienna toma uma expressão fechada, algo no seu rosto se contorce. — Enfim, é melhor eu entrar... — faço que sim e a vejo entrar no quarto e fechar a porta, não antes dos nossos olhares se encontrarem pela fresta da porta por alguns segundos. Engulo em seco e começo a andar em direção ao meu quarto para tomar um banho e ir para o meu escritório revisar algumas coisas, mas desvio o caminho, indo até o quarto de Miles primeiro. Abro a porta devagar e passo a mão no seu cabelo, tomando cuidado para não acordá-lo. Às vezes levo um susto vendo o tanto que cresceu. Sinto a culpa me corroer por não ter tempo para brincar com ele como antes. Entro no quarto de Noah e puxo a coberta para o cobrir. Há adesivos de estrelas brilhando no teto, com uma lua. Só assim ele pega no sono, tentando contar as estrelas. Saio do quarto dele e hesito em entrar no de Harper. A placa típica de "não entre" está estampada ali. Decido não entrar e caminho para o meu quarto. Entre os meus três filhos, ter uma filha adolescente é a mais complicada. Me sinto mal pela briga de hoje, principalmente porque sei que ela tem razão em cada palavra, e a coisa que mais me dói é pensar que ela me odeia. Que eles me odeiam.






