5

Damon):

Mais tarde, ao tentar entrar no quarto, ouço a voz de Sienna do outro lado da porta.

— Ah, senhor Black... — sua voz falha e parece tão desconcertada que faz eu franzir o rosto e voltar a olhar para suas mãos. — Minhas mãos estão coladas nessa maçaneta e... não quer sair de jeito nenhum — murmura, agora envergonhada.

Fecho os olhos, esfregando a têmpora.

Miles fez isso, tenho certeza.

Meio hesitante, chego perto dela, a uma distância razoável para minha própria segurança, e observo suas mãos presas na maçaneta.

Me obrigo a tocar a sua mão, ignorando o meu desconforto, ao tentar tirar suas mãos dali, o que não funciona. Deve ter sido a cola mais potente, e já sei até onde ele pegou no meu escritório.

— Tem muito tempo que está aqui? — pergunto, sentindo um pouco de preocupação, só um pouco, erguendo o olhar para ela.

O seu rosto está corado e não sei nem dizer bem o porquê.

— Uns quinze minutos, eu acho?

Assinto e dou uma distância dela.

— Isso não vai sair assim. Vou pegar uns produtos para tirar — comento.

Sienna faz que sim com a cabeça.

— Ok, só esperar um minuto e já volto.

Desapareço do seu campo de visão e vou procurar uma acetona e um pano. Sei lidar com isso; afinal, sou um engenheiro e tenho que ter certos conhecimentos.

Volto com o pano e a acetona, e Sienna desencosta a cabeça da porta. Me aproximo dela e coloco a acetona no pano.

Passo ao redor das mãos e da maçaneta.

A todo momento, sinto o olhar dela queimando em mim. Estou inquieto e esquisito, e só quero que essa cola saia logo da mão dela de uma vez para eu me afastar.

— Obrigada — murmura assim que suas mãos se desprendem da maçaneta, me fazendo sentir aliviado.

Parece que demorou uma eternidade.

— Só estou limpando a sujeira do meu filho — digo, afiado.

Ela pisca, parecendo desconcertada, e encara as próprias mãos, flexionando-as.

— E você já tirou a tinta vermelha do cabelo da Harper? — minha raiva quanto a isso não era nem o fato de ela ter pintado o cabelo e colocado o piercing, mas sim não ter me pedido para fazer. Eu já fui adolescente, caramba. Já fiz coisas... Já até fiz uma tatuagem da qual me arrependi amargamente e fiz uma sessão a laser para remover. Mas tenho que pôr algum limite, coisa que nem eu mesmo sei como colocar.

Normalmente, a Lily era boa nisso, eu era o tipo de pai bobo que deixava as crianças fazerem o que quisessem.

— Ela não deixou tocar no cabelo dela — dá de ombros.

Suspiro.

— Bom, dá um jeito — sibilo.

Suas sobrancelhas se franzem.

— Não acha um pouco exagerado? Ela já fez. Não faz muita diferença. Ela só é uma adolescente, é normal pintar o cabelo e colocar piercings no nariz...

A interrompo.

— Não me ensine o que tenho que fazer ou não com a minha filha. Só faça o que eu mando, babá — as palavras saem amargas e em tom desprezativo da minha boca.

Minha mandíbula se tensiona.

Sienna toma uma expressão fechada, algo no seu rosto se contorce.

— Enfim, é melhor eu entrar... — faço que sim e a vejo entrar no quarto e fechar a porta, não antes dos nossos olhares se encontrarem pela fresta da porta por alguns segundos.

Engulo em seco e começo a andar em direção ao meu quarto para tomar um banho e ir para o meu escritório revisar algumas coisas, mas desvio o caminho, indo até o quarto de Miles primeiro. Abro a porta devagar e passo a mão no seu cabelo, tomando cuidado para não acordá-lo. Às vezes levo um susto vendo o tanto que cresceu. Sinto a culpa me corroer por não ter tempo para brincar com ele como antes.

Entro no quarto de Noah e puxo a coberta para o cobrir. Há adesivos de estrelas brilhando no teto, com uma lua. Só assim ele pega no sono, tentando contar as estrelas.

Saio do quarto dele e hesito em entrar no de Harper. A placa típica de "não entre" está estampada ali.

Decido não entrar e caminho para o meu quarto.

Entre os meus três filhos, ter uma filha adolescente é a mais complicada. Me sinto mal pela briga de hoje, principalmente porque sei que ela tem razão em cada palavra, e a coisa que mais me dói é pensar que ela me odeia. Que eles me odeiam.

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