A BABA CONTRATADA PELO BILIONÁRIO OBCECADO
A BABA CONTRATADA PELO BILIONÁRIO OBCECADO
Por: Lidia.D.R
01. O LABIRINTO DE VIDRO E SOMBRAS

Capítulo 1: O Labirinto de Vidro e Sombras

​A chuva que caía sobre a cidade de São Paulo não era apenas água; para Pérola, parecia o peso do próprio destino tentando empurrá-la contra o asfalto. Ela apertava sua bolsa de couro sintético, já descascada nas bordas, contra o peito, protegendo o único tesouro que possuía: seus documentos e um anúncio de jornal dobrado cuidadosamente. Ela sentia o frio atravessar o tecido fino de seu casaco, mas o medo de ser despejada do quartinho de pensão onde morava era muito maior do que qualquer calafrio.

​Pérola nunca teve uma vida fácil. Criada em uma comunidade humilde, viu sua chance de estudar desaparecer quando precisou cuidar da mãe doente. O pouco que aprendeu na escola foi ofuscado por anos de trabalho duro em lanchonetes e limpezas. Ela era uma moça de beleza silenciosa, com olhos grandes e expressivos que escondiam uma timidez profunda, fruto de uma vida de privações. Sem diplomas, sem contatos e sem dinheiro, ela era invisível para o mundo luxuoso que agora se erguia diante dela.

​A Mansão Thorne era uma fortaleza de modernidade e ostentação. Localizada em um bairro nobre, a propriedade era cercada por muros altos e câmeras de segurança que pareciam seguir cada movimento de Pérola enquanto ela atravessava o portão de ferro. O jardim, impecavelmente podado, exalava um perfume de flores caras que ela nem sabia o nome. Quando a imensa porta de entrada se abriu, uma governanta de rosto severo, vestida com um uniforme impecável, a recebeu sem um sorriso.

​- O Sr. Alessandro não gosta de atrasos. Venha - disse a mulher de forma robótica.

​Pérola seguiu a mulher por corredores que pareciam museus. O mármore sob seus pés era tão polido que ela conseguia ver seu próprio reflexo cansado. Cada detalhe daquela casa gritava poder. Finalmente, pararam diante de duas portas de madeira escura. A governanta bateu duas vezes e anunciou a entrada de Pérola.

​O escritório era vasto, mergulhado em uma luz âmbar suave. O cheiro de livros antigos, couro e um perfume masculino sofisticado - algo que lembrava sândalo e tempestade - envolveu Pérola imediatamente. E lá, sentado atrás de uma mesa de carvalho que parecia um altar de autoridade, estava ele.

​O Sr. Alessandro Thorne não era apenas um bilionário; ele era uma força da natureza. Seus cabelos eram escuros e perfeitamente penteados, e seu rosto parecia ter sido esculpido em granito por um artista obcecado pela perfeição. Ele não olhou para ela de imediato. Estava concentrado em um tablet, seus dedos longos deslizando pela tela com uma elegância letal.

​- Sente-se, Pérola - a voz dele era um barítono profundo, carregado de uma autoridade que fez o coração dela dar um solavanco contra as costelas.

​Pérola sentou-se na ponta da cadeira de couro, sentindo-se pequena e inadequada. Ela olhou para as próprias mãos, que estavam levemente avermelhadas pelo frio.

​- Eu li o seu perfil - começou ele, finalmente levantando o olhar. Os olhos de Alessandro eram de um azul tão profundo que beiravam o cinza, intensos e despidos de qualquer calor óbvio. - Sem estudos acadêmicos. Sem experiência em grandes instituições. Apenas uma vida de sacrifícios e pequenos trabalhos.

​- Eu... eu sei cuidar de pessoas, senhor - Pérola interrompeu, sua voz saindo mais trêmula do que desejava. - Eu cuidei da minha mãe até o fim. Eu sei o que é dedicação.

​Alessandro levantou-se lentamente. Ele era alto, muito mais do que ela imaginava, e o terno escuro abraçava seus ombros largos de forma impecável. Ele caminhou ao redor da mesa, cada passo ecoando no silêncio do escritório. Pérola sentiu o ar ficar escasso à medida que ele se aproximava. Ele parou a poucos centímetros dela, forçando-a a inclinar a cabeça para trás para encará-lo.

​- Eu não procuro alguém que tenha lido livros sobre pedagogia, Pérola - ele disse, inclinando-se levemente. O calor que emanava dele era quase palpável. - Eu procuro alguém que saiba ocupar o seu lugar. Meus filhos são difíceis, e esta casa tem segredos que exigem silêncio.

​Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza que contrastava com sua aura intimidadora, tocou uma mecha do cabelo preto de Pérola que havia escapado do coque. O toque eletrizou a pele dela, fazendo seus poros se arrepiarem.

​- O salário que ofereço é uma fortuna para alguém como você. Você nunca mais passará fome ou frio. Mas o preço é alto. Eu exijo obediência total. Aqui dentro, minha palavra é a lei suprema. Você não questiona, você não hesita e você nunca me diz "não". Se eu pedir para você ficar acordada até o amanhecer, você ficará. Se eu decidir que você não deve sair da mansão, você permanecerá.

​Ele deslizou os dedos do cabelo dela para a linha do pescoço, de forma lenta, quase possessiva. Pérola sentiu um nó na garganta, uma mistura de medo e um desejo desconhecido que começava a florescer em seu ventre.

​- Você está disposta a ser moldada pela minha vontade, Pérola? Ou sua timidez esconde uma rebeldia que eu precisarei esmagar?

​Pérola engoliu em seco. Ela via nos olhos dele uma obsessão latente, algo que a atraía para o perigo como uma mariposa para a chama. Ela sabia que, ao dizer sim, sua vida mudaria para sempre. Ela não seria apenas uma babá; ela seria dele.

​- Eu aceito, Senhor Alessandro. Eu serei o que o senhor precisar que eu seja.

​Um brilho de satisfação cruzou os olhos dele. Ele se afastou, mas o peso de seu olhar continuou sobre ela.

​- Excelente. A governanta levará você ao seu quarto. Há roupas novas esperando por você. Jante e descanse. Amanhã, você conhecerá as crianças... e começará a entender que, nesta casa, o paraíso e o inferno moram sob o mesmo teto. E lembre-se: meu andar, o terceiro, é território proibido. Nunca me faça ter que puni-la por curiosidade, Pérola. Seria um desperdício de uma criatura tão... pura.

​Pérola levantou-se com as pernas trêmulas. Enquanto saía da sala, ela sentia os olhos de Alessandro queimando em suas costas, marcando-a antes mesmo do primeiro dia terminar.

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