TRILHAS CONVERGENTES

TRILHAS CONVERGENTESPT

Fernando Gimeno  En proceso
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Resumen
Índice

“Trilhas Convergentes” é um conto de ficção. Os personagens são frutos de nossa imaginação e qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência. Os estabelecimentos comerciais também são fictícios, mas a cidade de São João Batista do Glória é real. Ao procurar um cenário para expandir nosso conto, foi na pequenina cidade mineira encravada na Serra da Canastra, lugar misterioso e de rara beleza, que fomos buscar o ambiente propício para o incremento místico e esotérico necessário ao desenvolvimento da obra. “Trilhas Convergentes” narra momentos de encontro entre a mente espiritual, mais elevada e plena de sentimentos virtuosos com o homem corpo, cheio de sensações e desejos; a alquimia mental que busca a transubstanciação das paixões mais grosseiras em sublimações sutis, capazes de polir asperezas de nosso caráter, aparece como o alvo principal, o objetivo fundamental e a aspiração primordial do indivíduo que percorre o caminho em busca da luz. O objetivo da obra não é ser um livro de autoajuda, mas um relato que mostre ao leitor como se pode operar, no âmago do indivíduo, uma substituição dos estados mórbidos profundamente instalados na natureza de cada um em novos momentos de grata regeneração da alma para alçar voos mais elevados. É um livro que exalta a superação do homem em seus caminhos terrestres. Todos os personagens que compõe esta obra são ricos em detalhes psicológicos, e buscam realizar seus intentos da forma mais humana e verossímil, sem qualquer atributo fantástico que os remeta a aventuras mirabolantes e de difícil digestão pelo leitor exigente. As explicações místicas e esotéricas que recheiam as páginas de “Trilhas Convergentes” fazem parte do acervo ocultista do qual somos aficionados estudantes. Na verdade, são convicções próprias que produzem uma filosofia que não pretende ser impositiva e nem angariar prosélitos.

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26 chapters
Trilhas Convergentes
      C364tCavalca, FergiInclui índiceISBN 978-85-7923-422-4Ficção Brassileira I. Título11-6249.         CDD: 869.93                      CDU:821.134.3(81)-3    Esclarecimento ao leitor“Trilhas Convergentes” é um conto de ficção. Os personagens são frutos de nossa imaginação e qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência. Os estabelecimentos comerciais também são fictícios, mas a cidade de São João Batista do Glória é real.Ao procurar um cenário
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I
O doutor Túlio Bevenuto ajeitou os óculos sem aro e olhou novamente os exames que tinha na mão. Dificilmente ele encarava o seu interlocutor, principalmente na hora de dar um diagnóstico. Remexeu-se inquieto na cadeira, espantou uma possível mosca de cima do telefone, olhou demoradamente para a estante de livros na parede, deu umas pancadinhas no relógio de pulso...Ele era um homem já entrando na terceira idade, calvo no topo da cabeça e com os cabelos das têmporas e da nuca, os únicos que lhe restavam, grisalhos. Tinha uma reputação excelente como cardiologista e era complicado conseguir uma vaga para ser atendido em seu consultório particular.Depois de todos os rodeios ― olhou a mobília, cruzou os braços, consultou a folhinha... ― voltou os olhos para o paciente que estava sentado à sua frente e, muito sem jeito examinando a ficha que estava em suas m&atil
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II
Em casa, Domingos procurou conhecer o lugar para onde a sorte lhe apontava. No computador, iniciou uma pesquisa na rede para tomar conhecimento de seu futuro domicílio: conseguiu estabelecer que a cidade de São João Batista do Glória foi emancipada em 1949, no dia primeiro de janeiro, tem uma população de, mais ou menos, sete mil habitantes, e, portanto, é uma cidade pequena.Chega-se até lá ou de balsa atravessando o Rio Grande, em Passos, ou de carro por uma estradinha de terra que se entronca com a rodovia que vem de Belo Horizonte, passando por Formiga e Piumhi em direção ao estado de São Paulo. Pela dificuldade para aportar no município, pode-se esperar que seja um cantinho calmo e sereno. A principal atividade é o turismo. Situa-se na região da Serra da Canastra, que ostenta em seu território inúmeras cachoeiras. Segundo as fontes, mais de
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III
Frederico Adler estacionou o jipe em frente à Pousada do Monjolo. Saltou lentamente do veículo, reclamando das dores nas juntas, efeito natural daqueles que chegam aos sessenta e cinco anos sem se preocuparem muito com exercícios físicos regulares.Frederico era de estatura mediana, um metro e setenta e cinco centímetros mais ou menos, um pouco corpulento sem chegar a ser gordo, mas com uma barriguinha instalada e tomando forma. Tinha os cabelos cheios e lisos, penteados para trás e grisalhos; a barba é que já estava completamente branca. Ele a exibia orgulhoso emoldurando o rosto crestado pelo sol e pela vida ao ar livre. Frederico detestava se barbear e por isso a solução encontrada foi deixar a barba crescer. Seus cabelos também só eram cortados a cada seis meses, mas isso não era desleixo: era um costume que acompanhava o velho há muitos anos e do qual ele se agradava.Leer más
IV
A caminhonete cinza cabine dupla de Domingos entrou em São João Batista do Glória pela rua principal, coberta de poeira, mostrando a viagem longa que fizera e o trecho de terra percorrido. Era pouco mais de onze horas da manhã; o dia seguia ensolarado e a temperatura amena típica do final de maio. Nessa época, os dias são frescos e secos em sua maioria e as noites frias.Domingos estacionou na praça procurando um lugar para almoçar. Da rua se avistava a igreja monumental ao fundo. Era a matriz. Igreja grande, debruada de relevos rosados, ostentando duas torres majestosas. Dizem que os construtores das igrejas do período barroco, principalmente no interior de Minas, contratados pelas paróquias, cobravam um sinal e construíam, em primeiro lugar, uma das torres. Caso não recebessem o restante do pagamento, iam embora deixando a obra com apenas uma torre construída. Caso lhes pagasse
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V
Domingos dormiu até as cinco e meia da tarde. Levantou-se e tomou uma boa chuveirada. A ducha era forte e ele deixou a água escorrer pelo corpo, esfregando-se todo com uma esponja um pouco áspera que sempre trazia consigo em viagens. Aquilo reativou sua circulação fazendo-o sentir-se mais revigorado e bem-disposto.Domingos era um homem bem-apessoado. Quarentão, com um metro e oitenta de altura, cabelos castanhos fartos com alguns fios prateados aparecendo nas têmporas, barba escanhoada e olhos meio esverdeados. Antes do acidente, era um homem que podia se considerar bonito e até vaidoso, pois se preocupava bastante com a aparência; praticava regularmente exercícios, jogando tênis pelo menos uma ou duas vezes por semana no clube do qual era associado. Depois do acidente, caíra em uma apatia mórbida, mas a aparência continuava a mostrar um homem atraente, embora sem o mesmo esmero de
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VI
No dia seguinte, encontraram-se no salão do café às seis e meia. Tomaram um substancial desjejum e se dirigiram ao veículo do médico para iniciar a viagem. Eva preparou um farnel com sanduíches, pão de queijo e doces para eles levarem. Às sete horas saíram.O médico foi conduzindo o jipe por estradinhas vicinais de terra, em alguns momentos verdadeiros “caminhos de vaca”, com “mata-burros”, buracos e valetas onde era necessário colocar a tração nas quatro rodas para poder seguir viagem. Antes das oito chegaram ao sítio do Fagundes, o primeiro da lista de visitas; e o sitiante veio, célere, receber o médico. Estava aflito e abalado.― Inda bem que o dotô chegô ― disse ele. ― O Fredim, seu afilhado ― o menino se chamava Frederico em homenagem ao médico que o colocara no mundo ―, desde onti Leer más
VII
Eva sentou-se na varanda para aproveitar o vento fresco que soprava naquela bonita tarde de domingo. Não havia muito movimento na pousada e a jovem deixou-se ficar ali quietinha, enquanto seus pensamentos percorriam rapidamente vários escaninhos de sua vida. Parou em um deles, o que menos gostava, por sinal. A lembrança recaiu justamente no período conturbado de sua relação com Afonso. Embora não se agradasse dessas recordações mórbidas, vira e mexe era conduzida a elas.Não demorou muito viu o jipe de Frederico chegar; Domingos saltou do carro e, entrando rapidamente na pousada, foi diretamente para o quarto.Da boleia, o médico enxergou Eva e acenou para ela. Eva retribuiu o aceno movimentando os dedos da mão direita sem tirar ambas do queixo; os cotovelos apoiados nas coxas. Frederico, não pode deixar de ver a tristeza no semblante da moça e por isso saltou do ji
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VIII
O mês de junho chegou!Junho é o mês das festas gostosas, do milho, da canjica, das quadrilhas e das roupagens típicas, com os remendos característicos para representar a caipirada. Mês das quermesses na praça da matriz. Mês das barraquinhas graciosas enfeitadas com bandeirolas multicoloridas; das guloseimas, gostosuras e jogos de prendas; das fogueiras e fogos de artifício; das barulhentas bombinhas e traques de que a meninada tanto gosta...Ali, nas aguardadas festas, encontramos pipoca, maçã do amor, algodão doce, comidinhas típicas e, também como não poderia faltar, o tradicional quentão, preparado com uma cachacinha artesanal dos alambiques do Glória, gengibre e canela, fervido no tacho de cobre e capaz de derrubar muito machão metido a besta.A cidade estava fervilhando com os preparativos dos festejos e todos falavam e comentavam o eve
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IX
Eva trouxe Vicente até a varandinha e, com carinho, instalou-o em uma das poltronas de vime que compunham o mobiliário. Cobriu as pernas do avô com uma manta, pois a manhã estava fria, e colocou algumas revistas em suas mãos. Depois foi à cozinha e voltou de lá com uma xícara fumegante:― Um caldinho de feijão light para o melhor avô do mundo! ― Vicente gostava desse caldinho quente e reconfortante. Frederico vinha saindo do salão de refeições. Acabara de tomar o desjejum e vendo o velho amigo na varanda veio sentar-se ao seu lado. O médico abraçou o ancião. Vicente fora o seu grande confidente quando chegara ao Glória e ele amava o velho como se fosse seu próprio pai. Vicente, com um sorrisinho no canto dos lábios, falou:― Já estava com saudades de você, Fred. Mas que diabo está acontecendo que vo
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