JADE O resto da noite passou tranquilo, quase rotineiro. Cheguei em casa, fechei a porta com o pé e, sem cerimônia, tirei os saltos altos e os joguei longe no corredor. Eles deslizaram pelo piso de madeira com um som abafado, como se reclamassem do dia longo junto comigo. — Ai, meus pés... — resmunguei, me encostando na parede para massagear os dedos doloridos. Da cozinha, ouvi o barulho inconfundível de um pacote de alumínio sendo aberto. Lili apareceu segundos depois, segurando um saco de salgadinho, com o cabelo preso num coque frouxo e a camiseta velha de sempre. — E aí? Como foi o programa de hoje? — perguntou ela, mastigando sem menor cerimônia. Abri a geladeira, peguei uma garrafa de água gelada e dei um longo gole antes de responder. — Tranquilo. Mas amanhã tenho cliente novo. Ela arqueou as sobrancelhas, interessada. — Rico? — Bilionário, segundo a Vanessa. — Bonito? Dei de ombros, guardando a água. — Nem vi foto. Nem pesquisei. Vou trabalhar, não escolher namor
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