JADE Às dezenove horas e cinquenta minutos em ponto, eu já estava completamente pronta no meio da sala. Um verdadeiro milagre da natureza, diga-se de passagem. Em circunstâncias normais, eu fazia qualquer motorista esperar pelo menos cinco minutos na portaria. Não por maldade. Era estratégia puramente calculada. Uma mulher de categoria nunca demonstra desespero, e no meu manual particular de sobrevivência social, fazer o outro esperar um pouco era a primeira regra para estabelecer o controle do ambiente. Mas naquela noite, o relógio parecia correr em um ritmo diferente, e a ansiedade teimava em desorganizar minha rotina. Lili surgiu no corredor com passos lentos, segurando uma xícara de café, e parou na minha frente. Os olhos dela passearam por mim da cabeça aos pés, analisando cada detalhe da produção com um rigor digno de crítica de moda. — Misericórdia, Jade... — soltou ela, estalando os lábios. Olhei para a barra do vestido, ajeitando o tecido sobre o quadril. — O que foi?
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