O silêncio na sala de convenções tornou-se pesado, quase palpável. A iluminação natural das grandes janelas de vidro expunha cada traço no rosto de Henrique: a mandíbula rígida, o peito subindo e descendo com uma respiração contida e o olhar profundo que tentava, a todo custo, decifrar a mulher à sua frente. Ele deu mais dois passos na minha direção, parando a uma distância em que a sua presença ainda exigia atenção, mas sem romper a barreira do profissionalismo que eu impusera. — 'Só sexo', Valentina? É isso mesmo que você quer? — ele perguntou, a voz grave descendo para um tom rasgado, carregado de uma amargura que ele não se preocupava em esconder. — Quer dizer que o que importa para você é só o sexo, a atração física, e que depois disso eu simplesmente desapareça? Quer que eu pare de te perturbar, que pare de correr atrás de você como um louco? Sustentei o olhar dele sem piscar, a pasta de arquivos bem presa contra o meu corpo. — É exatamente isso, Henrique — respondi com uma f
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