Por volta da meia-noite, cansada, apaguei as luzes e me deitei na cama macia, deixando-me embalar pelo silêncio do meu quarto. A calmaria, no entanto, durou poucas horas. Às três horas da manhã, fui arrancada do sono profundo por um som sobressaltado. A campainha do meu apartamento começou a tocar de forma insistente, frenética, acompanhada por batidas secas e pesadas contra a madeira da porta. Pulei da cama com o coração disparado no peito, a respiração presa na garganta. Quem poderia ser àquela hora da madrugada? Caminhei a passos rápidos pelo corredor escuro, o medo e a apreensão correndo pelas minhas veias. Aproximei-me da porta e olhei pelo olho mágico. O sangue congelou no meu corpo. Era Henrique. Ele estava de pé no meu corredor, encostado desajeitadamente no batente. Henrique vestia a mesma camisa branca do trabalho, agora completamente amassada, sem gravata e com os primeiros botões desabotoados. O cabelo escuro estava desalinhado, e a sombra de barba por fazer no rosto
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