Antes que a exposição itinerante chegasse ao fim, aceitei encontrar Henrique pela última vez.Ele me esperava naquele restaurante, que continuava fechado.A mesa para dois junto à janela ainda estava no mesmo lugar.Até a cadeira extra, espremida ao lado do corredor, continuava ali.Sobre a mesa, havia três jogos de talheres.E, diante da cadeira que um dia fora a minha, ainda faltava o potinho de molho.Assim que me viu, Henrique se levantou.Um ano tinha passado desde a última vez que nos encontramos, e ele estava visivelmente mais magro. A camisa, antes sempre impecável, agora tinha alguns vincos. No pulso, continuava usando o relógio que eu havia lhe dado.— Senta-se.Ele puxou a cadeira junto à janela para mim.A cadeira que, durante todos aqueles anos, sempre fora de Marina.Não me sentei.— Recebi o relógio de bolso. Obrigada.— Não fui eu que consertei.Henrique falou baixo.— O relojoeiro passou um ano procurando a peça. Eu só devolvi o que era seu.Ele voltou para a grelha e
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