O silêncio na mansão Prado era apenas uma fachada, como tudo naquela casa. No andar superior, Dona Marta Prado caminhava lentamente pelo corredor forrado de retratos, parando diante do retrato de casamento de Júlio e Roberta. O sorriso forçado do filho e a expressão vitoriosa da nora lhe davam náuseas toda vez que passava por ali — o que, àquela altura, já era quase todos os dias. Marta sabia, com a certeza de quem tinha vivido o suficiente para reconhecer o próprio reflexo em outra mulher, que Roberta era uma cobra. Conhecia bem demais o modus operandi de Edgar Prado, o mesmo homem que, há quarenta anos, destruíra o grande amor da juventude dela para arrastá-la a um casamento de conveniência que a sufocava até hoje.Marta aceitara a gaiola de ouro pelos filhos, mas alguma parte essencial de sua alma morrera naquele acordo. Foi por isso que, quando Ana Gusmão entrara na vida de Júlio anos atrás, Marta enxergara na jovem a chance de o filho ter o amor verdadeiro que ela própria jamais
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