O silêncio na mansão Prado era apenas uma fachada, como tudo naquela casa. No andar superior, Dona Marta Prado caminhava lentamente pelo corredor forrado de retratos, parando diante do retrato de casamento de Júlio e Roberta. O sorriso forçado do filho e a expressão vitoriosa da nora lhe davam náuseas toda vez que passava por ali — o que, àquela altura, já era quase todos os dias. Marta sabia, com a certeza de quem tinha vivido o suficiente para reconhecer o próprio reflexo em outra mulher, que