O elevador desceu em silêncio por alguns segundos, um silêncio que parecia mais pesado do que deveria. Júlia ficou de frente para o painel de botões, mas eu via, pelo reflexo do metal escovado, o jeito como os olhos dela deslizavam de Lucas para mim e voltavam para Lucas, rápido demais para ser inocente. Ele, por sua vez, olhava fixo para o número dos andares descendo, as mãos enfiadas nos bolsos, e eu senti algo estranho no ar, uma tensão que eu não sabia explicar, só sentir. — Angélica, que anel lindo — disse Júlia de repente, com aquela voz suave, quase infantil, os olhos grudados na minha mão esquerda. — Deve ter custado bem caro, né? O Lucas tem bom gosto. — Foi ele quem escolheu — respondi, sorrindo, mantendo a educação de sempre, mesmo sentindo alguma coisa por trás daquelas palavras que não me soava como elogio. Havia um desprezo fininho escondido no tom dela, do tipo que só outra mulher percebe. — Que sortuda você — ela sorriu de volta, um sorriso perfeito demais, e desce
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