SeleneTudo aconteceu ao mesmo tempo.O mundo estreitou.A névoa se abriu.Vi as garras vindo primeiro, curvas e sujas, cortando o ar onde meu rosto estivera um segundo antes. Depois vi os dentes: longos, úmidos, amarelos, feitos para rasgar garganta e não para ameaçar. O corpo cinzento veio lançado contra mim com o peso de uma sentença.Senti o ar se partir.Senti meu coração parar.E então algo se ergueu dentro do meu peito.Não coragem.Autoridade.Um calor prateado subiu da marca para minha garganta. Minha boca abriu antes que eu pensasse. A voz que saiu era minha, mas carregava uma vibração impossível, baixa, firme, antiga.— Ajoelhe.O lobo caiu no chão antes de me tocar.Não tropeçou.Não errou o salto.Caiu.Como se uma mão invisível o tivesse esmagado contra a terra.O impacto fez folhas e lama saltarem ao redor. A criatura soltou um ganido rouco, depois ficou imóvel, as patas dianteiras dobradas, a cabeça baixa. O rosnado morreu em sua garganta.Eu parei de respirar.O lobo
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