O som da fechadura eletrônica do triplex ecoou no silêncio da madrugada como o disparo de uma arma de fogo de grosso calibre, quebrando a atmosfera gélida que parecia ter se instalado definitivamente sobre a cobertura de luxo. Clara Mendes cruzou o hall de entrada com passos rápidos, quase desordenados, impulsionada por uma urgência febril que dominava cada um de seus movimentos. Ela não olhou para os lados, não buscou a habitual luz suave da sala de estar e nem sequer se deu ao trabalho de verificar se Marta, a governanta que se tornara sua única âncora de humanidade naquele deserto de concreto, estava acordada à sua espera. Subiu os degraus da imensa escada de mármore em direção ao quarto de hóspedes como se estivesse fugindo de um incêndio devastador que ameaçava consumir sua própria pele, sua sanidade e os últimos resquícios de dignidade que lhe restavam.Assim que bateu a porta de madeira maciça do quarto atrás de si, trancando-se no isolamento que outrora fora seu refúgio, a arm
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