Depois do café, a casa grande retomou o ritmo característico das manhãs na Fazenda Santa Aurora. As portas e janelas foram abertas para deixar entrar a brisa fresca que ainda carregava o perfume das laranjeiras do pomar. Ao longe, o barulho metálico dos baldes sendo organizados no curral misturava-se às vozes dos peões, que iniciavam mais um dia de trabalho entre o gado e os cavalos. A vida seguia seu curso natural, como fazia havia décadas. Para Mariana, no entanto, cada passo em direção ao quarto improvisado para os atendimentos parecia tornar o ar mais pesado.Na noite anterior, ela havia pedido a Bento que providenciasse um espaço amplo, bem iluminado e silencioso para iniciar a reabilitação de Raul. Um antigo escritório, localizado no térreo da casa grande e voltado para o jardim, fora reorganizado logo ao amanhecer. Os móveis desnecessários foram retirados, restando apenas uma maca regulável, uma cadeira firme, barras de apoio provisórias instaladas junto à parede, alguns c
Ler mais