Laura narrandoAcordei sem saber onde estava.Durante alguns segundos, fiquei olhando para o teto branco, tentando entender por que tudo parecia tão estranho.Então me lembrei.A mansão.Matias.O contrato.Meu aniversário.As lágrimas voltaram antes mesmo que eu me levantasse da cama.Virei o rosto para a janela.O sol iluminava um jardim enorme, coberto por flores coloridas e árvores antigas. Em qualquer outra situação, eu teria achado aquele lugar encantador.Agora, só conseguia enxergar grades invisíveis.Levantei devagar.Nem tive vontade de trocar de roupa.Peguei um casaco e saí do quarto.Dona Célia já estava acordada.Assim que me viu, abriu um sorriso triste.— Dormiu um pouquinho?Balancei a cabeça.— Acho que só fechei os olhos.Ela se aproximou e acariciou meu rosto.— Precisamos ser fortes, minha menina.Seu pai sempre dizia que você era mais corajosa do que imaginava.Engoli o choro.— Hoje eu não me sinto corajosa.Sinto que arrancaram tudo de mim.Ela me abraçou em si
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