Acordei no sábado com o celular vibrando tantas vezes sobre a mesa de cabeceira que, por alguns segundos, achei que tivesse esquecido algum alarme. Rafael ainda dormia ao meu lado, virado de costas, com um braço jogado sobre o travesseiro que costumava reclamar que eu roubava durante a noite. Peguei o aparelho tentando não acordá-lo e encontrei mensagens de Renata, André, Célia e até de dona Marlene, o que nunca era um bom sinal quando acontecia antes das oito da manhã. O primeiro vídeo enviado por Renata tinha menos de vinte segundos. Era uma gravação da recepção da noite anterior, feita provavelmente por alguém que estava no salão. Rafael aparecia conversando com um diretor enquanto eu passava alguns metros atrás dele. Antes que eu falasse ou tocasse nele, ele virava o rosto na minha direção. O vídeo desacelerava justamente naquele instante e terminava com uma frase escrita sobre a imagem: “CEGO OU NÃO? Rafael Montenegro parece acompanhar a esposa com os olhos”.Assisti duas vezes,
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