Na segunda-feira, descobrimos que morar numa casa menor não significava necessariamente ter uma vida mais simples. Às sete da manhã, havia um técnico tentando instalar a internet no andar de cima, uma entrega de cadeiras que deveria ter chegado na sexta, duas caixas abertas no corredor e Rafael parado no meio da cozinha procurando o pote de café que eu tinha mudado de armário sem perceber. O detalhe produziu uma discussão de três minutos que terminou comigo colocando o pote de volta ao lugar anterior e ele reconhecendo, com relutância, que provavelmente deveria ter perguntado antes de concluir que eu estava reorganizando a casa inteira durante a madrugada. Na mansão, pequenas falhas desapareciam dentro de uma estrutura enorme de funcionários e rotinas. Ali, qualquer decisão deixava marcas visíveis. Uma cadeira fora do lugar, uma compra esquecida ou uma conta vencida pertenceria a nós, e eu começava a entender por que tantas pessoas passavam anos discutindo sobre coisas aparentemente i
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