O silêncio que se seguiu à saída de Alice da minha sala foi o mais violento que já experimentei. Eu olhava para a madeira escura da porta, com os punhos cerrados ao lado do corpo, sentindo a pulsação ecoar com força nas minhas têmporas. O arrependimento era um gosto amargo e metálico na minha boca. Trazer o contrato à tona, jogar na cara dela os termos financeiros que nos uniram, tinha sido o ato mais covarde e desesperado que eu já havia cometido. Eu tinha tentado me defender ferindo-a, e o tiro tinha saído direto no meu próprio peito.Caminhei até a parede de vidro que dava para a área das secretárias. Através da película fumê que me dava privacidade, eu conseguia vê-la. Alice estava sentada diante da sua mesa, com a postura impecável, digitando no computador com uma calma aparente que me assustava. Não havia hesitação nos movimentos dela, nenhum traço do abalo de poucos minutos atrás. Ela havia colocado a sua armadura. A mesma que eu usei por quatro anos, mas que agora, nele, parec
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