A luz da manhã de sexta-feira não pediu licença para entrar. Ela se infiltrou de mansinho pelas frestas das cortinas de linho da suíte master, desenhando listras douradas e pálidas sobre o tapete felpudo e subindo, centímetro a centímetro, pelas dobras do lençol de fios egípcios onde estávamos deitados.Abri os olhos lentamente, sentindo o peso suave do braço de Alice cruzado sobre o meu peito. Ela continuava adormecida, a cabeça aninhada na curva do meu ombro, os cabelos escuros espalhados como uma moldura indomável sobre o travesseiro branco. Na penumbra aconchegante do quarto, o contraste era absoluto: a calmaria que reinava ali dentro parecia ignorar por completo que, do lado de fora daquela cobertura, Manhattan já deveria estar fervilhando com as repercussões do baile da noite anterior.Com extremo cuidado para não despertá-la, deslizei o meu braço por baixo de sua nuca. Alice soltou um murmúrio baixinho, um som manhoso que ela só fazia quando estava profundamente relaxada, e se
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