Eu já não conseguia ficar naquela casa. Aluguei um apartamento discreto, pequeno, longe da memória dos corpos e da podridão. Eu sabia que ainda estava sendo investigada. então um apartamento, longe das memórias ruins dos meus pais, devia ser pra eles uma motivação, por não conseguir suportar tanta dor. E foi lá que, certa manhã, um buquê de flores chegou. Simples. Elegante. Com um cartão escrito à mão. O coração quase saiu pela boca. As mãos tremeram. Rasguei o envelope com pressa, e li: “As estações mudam, mas a raiz permanece. Estamos mais perto da primavera. Faltam poucos dias para o jardim florescer por inteiro. Fique firme. Eu estou chegando.” E eu sabia que era ele! enigmático, subliminar, mas ele.
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