A mesa do jantar da mansão tinha aquela beleza fria das coisas que foram pensadas para impressionar e que, com o tempo, simplesmente existem — a madeira escura, a louça branca, os copos de cristal que pegavam a luz do lustre e a devolviam em pequenos arcos brilhantes sobre a toalha. Rosa tinha servido um creme de abóbora, e o cheiro que subia das tigelas era quente e familiar, daquele tipo que ameniza qualquer ambiente, mesmo os mais formais.Álvaro estava na cabeceira, como sempre, com o jornal dobrado ao lado do prato — ele nunca lia durante o jantar, mas precisava ter o jornal ali, como se a presença do objeto fosse suficiente. Elena estava ao lado, com a postura ereta de sempre, cortando o pão com a precisão de quem faz aquilo há décadas. Luiz tinha chegado no último minuto, ainda com a gravata afrouxada, cheirando levemente ao ar frio da rua, e se sentara com a desculpa de trânsito que ninguém questionou porque já era esperada.Alexander estava quieto desde que tinha chegado da e
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