O quarto de Abby parecia o epicentro de uma colisão entre dois mundos que nunca deveriam ter se encontrado. Sobre a cama, a mochila de trilha — uma estrutura robusta de lona escura — estava aberta, sendo preenchida não com os biquínis coloridos e vestidos leves de linho dos verões passados, mas com botas de caminhada, lanternas, repelentes e rolos de papel para esboço. No canto, uma barraca compacta ainda na caixa simbolizava sua nova independência.O ar na casa dos Miller estava denso. Não era uma tensão agressiva, mas uma melancolia mansa, o tipo de silêncio que se instala quando uma engrenagem que girou perfeitamente por uma década decide mudar de direção. No corredor, as malas de Daniel e Eliza já estavam fechadas, prontas para serem levadas ao porta-malas. Eram as malas de sempre, prontas para cumprir o roteiro de sempre. Mas, pela primeira vez, havia uma bagagem a menos no conjunto.Abby dobrou uma blusa de frio grossa, sentindo o peso da decisão em cada movimento. Ela ouviu pas
Ler mais