Aurora Whitmore Há despedidas que acontecem muito antes de alguém fazer as malas. Elas começam dentro da gente e no dia em que o coração entende que permanecer em um lugar pode machucar mais do que ir embora. Foi exatamente assim que me senti. Eu continuava no Rancho Blackwood, dormia no mesmo quarto, preparava o café da manhã de Emily, lia histórias antes de ela adormecer, conversava com Marta na cozinha e ria das piadas de Samuel durante os passeios pelos estábulos. Por fora, absolutamente nada havia mudado, mas por dentro, tudo estava diferente. Eu havia aprendido a amar um homem que ainda travava uma guerra contra o próprio passado, e, por mais que entendesse sua dor, começava a perceber que também precisava cuidar da minha. Naquela manhã, acordei antes do nascer do sol. Abri a janela do quarto e deixei o vento fresco entrar. O horizonte do Texas começava a ganhar tons dourados. Era uma paisagem bonita, e mesmo assim, senti um aperto estranho no peito. Talvez porque eu já não c
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