Depois da noite desastrosa, daquelas palavras que joguei na cara dele e que doeram em mim mesma, tranquei a porta e não a abri para ninguém. Nem para Gina, apesar dela bater insistentemente, chamando por mim do lado de fora, preocupada. E Jasper não apareceu. Provavelmente, minhas palavras duras e minha atitude de fuga tiveram efeito sobre ele. Ou talvez ele estivesse cansado de tentar com alguém que só sabe ser difícil, alguém que só sabe ferir. A raiva ainda existia em mim, fervendo sob a pele, queimando como brasa. Jasper havia tocado numa ferida antiga, havia trazido de volta memórias que eu tentava a todo custo manter enterradas bem fundo na minha alma. A minha infância não foi fácil, foi dura, sofrida, marcada pela dor, pela escassez e pela solidão. Quantas vezes tive que dormir escondida na mata, ao relento, passando fome e frio, tremendo de medo até o dia em que conheci Boris? Ele me ajudou. Me deu abrigo, me deu comida, me deu um teto, me deu um propósito. Até que e
Ler mais