EvelynAbro o chuveiro com as mãos trêmulas e o jato de água quente sai forte, batendo na minha pele como agulhas escaldantes. Eu entro devagar, deixando a água escorrer pelo corpo, molhando o cabelo, os ombros, as costas, descendo pelas pernas como se pudesse lavar, não só o suor e o vômito da noite passada, mas toda a sujeira que eu sinto por dentro. O vapor sobe ao meu redor, embaçando o azulejo, e eu fecho os olhos, apoiando as mãos na parede fria para me equilibrar. Mas em vez de alívio, a água só traz as memórias de volta, como um filme cruel que eu não consigo pausar.Eu me lembro de tudo. De como fui enganada, cada beijo que eu achava sincero, cada abraço que me fazia sentir segura, cada palavra doce que agora soa como veneno. Ele me usou. Usou para atingir a ex, pra fazê-la voltar, para provar um ponto idiota. E eu acreditei. Acreditei como uma idiota. Traída. Ele me traiu não só com o beijo que eu vi, mas com meses de mentiras, de olhares falsos, de toques que nunca for
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