Não mudaram.Soraya dormia na cama ao lado, virada para a parede, a respiração um pouco pesada, o rosto pálido mesmo no escuro. Parecia menor sob o lençol fino. Mais frágil. E Layla odiou a si mesma por não ter percebido antes.Não era que Soraya escondesse a doença.A doença sempre estivera ali, sentada à mesa com elas, deitada no sofá, acompanhando as tosses, os remédios, as consultas, as contas atrasadas. Mas Layla havia se acostumado a tratá-la como uma luta conhecida. Difícil, sim. Assustadora, sim. Mas controlável.Agora, os papéis no colo diziam outra coisa.Diziam que havia uma parte da realidade que passara silenciosa por baixo de todas as outras dores.Enquanto Layla se preocupava com Zayn, com a humilhação, com as esposas, com a fotografia, com o palácio, com o próprio coração traidor, a saúde da mãe talvez estivesse piorando diante dela.Essa culpa era diferente.Mais limpa.Mais profunda.Porque, ao contrário de Zayn, Soraya nunca pedira nada além de presença.Layla fecho
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