Então a música mudou.Os músicos, talvez por improviso, talvez por maldade divina, passaram para um ritmo mais íntimo, mais antigo, daqueles que pareciam nascer de noites quentes, janelas abertas e promessas feitas em voz baixa. Layla adaptou o corpo automaticamente. O movimento de seu tronco tornou-se mais fluido, a ondulação mais profunda, os giros mais próximos do chão.Quando ergueu o olhar, encontrou Zayn.Dessa vez, não conseguiu desviar.Ele a observava com uma intensidade que quase a fez errar a batida. Não havia vulgaridade. Não havia sorriso. Havia algo pior: reverência contida e fome controlada.Como se ela fosse arte.Como se fosse ameaça.Como se fosse a única coisa viva naquele jardim.Layla sentiu o calor subir pela pele.A dança respondeu.Mais forte.Mais precisa.Mais perigosa.Ela se odiou por isso e, ao mesmo tempo, entregou-se ao movimento. Porque dançar era dizer a verdade com o corpo, e naquela noite a verdade era que Zayn a afetava. Não a possuía. Não a vencia.
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