POV: RAFAELO escritório tinha a mesma temperatura de sempre. Servidores zumbindo, café esfriando, a Faria Lima lá embaixo não sabendo que o andar de cima estava em guerra.Sob a mesa de tampo escuro, o rack de servidores emitia um zumbido sutil, quase inaudível, mas constante o suficiente para manter a temperatura do cômodo perigosamente fria. No canto esquerdo da mesa, a terceira caneca de café preto já tinha esfriado por completo, formando uma película escura que Rafael ignorava deliberadamente.Igor estava em pé, encostado na moldura da janela que dava para a Faria Lima. A silhueta dele cortava o brilho azulado dos três monitores acesos, e a brasa do cigarro que ele mantinha entre os dedos brilhava como um aviso no escuro.— O moleque cantou, Rafael — Igor disse, a voz num tom arrastado que não tentava esconder o cansaço. — Cantou bonito. E cantou rápido.Ele deu um passo à frente e jogou um celular de carcaça gasta sobre o vidro da mesa. O aparelho bateu com um estalo seco. N
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