POV: JADEO cheiro de pólvora ainda grudava na minha jaqueta quando o utilitário entrou na rodovia.Ninguém falava. O silêncio dentro do carro pesava mais que o barulho do tiro que eu ainda ouvia dentro da cabeça. Lá fora, a garoa começou a bater no vidro, e as luzes da Faria Lima foram sumindo pra trás, engolidas pela escuridão da Régis Bittencourt.O ar tinha gosto de couro velho, poeira do ar-condicionado e o cheiro doce e metálico do sangue de Igor, secando devagar na camisa cinza dele. Ele guiava com a mão direita, o corpo puxado pro lado pra poupar o ombro, um pano ensopado pressionado contra o ferimento. Não gemia. Não reclamava. Só dirigia, olhos fixos na faixa branca da pista, o suor brilhando na nuca dele toda vez que o farol de um caminhão cruzava a pista contrária.No banco da frente, Rafael não se mexia. A submetralhadora atravessada no colo, o cano virado pra porta, os olhos grudados no retrovisor lateral, acompanhando cada farol que aparecia longe na estrada. Parecia pe
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