JADEJade voltou para o apartamento às dez da noite com a sensação de que tinha entrado num lugar que já não era mais dela.A luz da sala estava apagada. Só a TV, muda, deixava o cômodo num brilho azulado, feio e cansado. Rayssa estava no sofá, de lado, com o celular na mão. O braço caído de um jeito torto, a cabeça encostada na almofada. A respiração parecia funda demais para alguém que dormia. Ou fingia bem demais.Jade largou a bolsa perto da porta sem fazer barulho.Quarenta e oito horas.Fernanda tinha dito aquilo sem levantar a voz. Como quem entrega um copo d’água. E mesmo assim a frase ficou latejando o dia inteiro dentro dela, batendo na cabeça, nas costelas, nas mãos.Agora estava ali.Na sala.Em cima dela.Jade tirou o sapato na entrada e foi até o sofá com cuidado, os pés descalços afundando no tapete fino. Parou ao lado de Rayssa. O celular da amiga ainda estava na mão dela, virado para baixo, metade escondido pela coxa.Jade estendeu a mão.Ia só colocar na mesa.Só iss
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