Zara Moraes Existem pessoas que assustam pelo silêncio. Alexandre era uma delas. Mas existem pessoas que assustam porque sorriem demais. Matteo Ricci era exatamente assim. Na primeira vez que o conheci, tive certeza de que aquele homem escondia alguma coisa. Ninguém podia ser tão descontraído vivendo naquele mundo. Ninguém podia fazer piadas durante reuniões sobre guerras, alianças e ameaças. Ninguém podia parecer tão relaxado cercado por pessoas perigosas. E, ainda assim, Matteo conseguia. Talvez por isso fosse tão difícil entendê-lo. Naquela manhã, pela primeira vez em muitos dias, o castelo parecia respirar. O sequestro havia acabado. Ricardo estava preso. As ameaças tinham diminuído. E, mesmo que a guerra ainda não estivesse oficialmente encerrada, existia uma sensação coletiva de alívio. Eu estava tomando café com Helena e Sofia quando Matteo entrou na sala. Como sempre, sem bater. Como sempre, agindo como se fosse dono do lugar. — Bom dia, senhoras. Helena r
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