Zara Moraes A felicidade era estranha. Porque, às vezes, ela aparecia justamente antes do caos. Naquela noite, depois do meu colapso emocional, Alexandre praticamente se recusou a sair do meu lado. Ele havia cancelado reuniões. Redistribuído tarefas. E, pela primeira vez desde que o conheci, estava claramente priorizando uma única coisa. Eu. Estávamos sentados diante da lareira do quarto principal. Eu tinha uma manta sobre as pernas. Ele trabalhava num tablet enquanto, de tempos em tempos, seus olhos azuis verificavam se eu estava bem. Era quase automático. Quase instintivo. Quase bonito demais. — Está me vigiando? Ele ergueu os olhos. — Sim. Eu ri baixinho. — Descaradamente. Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto. — Também. Meu coração aqueceu. Sempre aquecia. Então me aproximei. — Você não precisa fazer isso o tempo todo. Ele me observou por alguns segundos. Longamente. — Preciso. — Por quê? A resposta veio sem hesitação. — Porque a minha paz está se
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