SamantaO teto do banheiro parecia girar em um carrossel lento e embaçado. Um zumbido agudo, que antes me ensurdecia, começou a dar lugar a vozes distantes, abafadas, como se eu estivesse submersa em águas profundas. Senti o toque frio do chão de granito contra as minhas pernas e, logo em seguida, o calor de mãos desesperadas que me sacudiam com delicadeza.— Samanta! Por favor, abre os olhos!Pisquei devagar. A luz branca das lâmpadas fluorescentes do banheiro agrediu as minhas pupilas, forçando-me a fechar os olhos novamente antes de tentar uma segunda vez. Quando finalmente consegui focar, a primeira imagem que se nitidificou diante de mim foi o rosto de Elisabete. Suas bochechas estavam manchadas pelo rímel borrado, e seus olhos, antes faiscando de fúria e mágoa, agora transbordavam um pânico genuíno. Logo ao lado, a expressão de Emma não era muito diferente; ela segurava o meu pulso com firmeza, os dedos frios pressionando a minha pele para monitorar os batimentos do meu coração.
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