Há coisas que faço por razões que consigo articular com precisão. E há coisas que faço e que, se alguém me pedisse uma razão, simplesmente produziria silêncio. Aparecer no apartamento de Íris Calloway numa quinta-feira às oito e meia da noite sem aviso pertencia à segunda categoria. Sabia onde ela vivia. Isso não foi difícil, Ciro havia verificado o endereço na primeira semana, parte do processo de due diligence que faço com toda a gente que entra no meu campo de atenção. Sabia o edifício, o andar, o número da porta. Informação. Não havia feito nada com ela até àquela noite. Naquela noite, fui. Bati na porta três vezes. Espaçadas. Não havia urgência no gesto, sabia que não ia ser ignorado. Íris abriu a porta e houve um segundo de silêncio entre nós, ela em pijama, cabelo preso de qualquer forma, sem maquilhagem, no meio de um jantar improvisado que conseguia ver pela linha da cozinha e de um documento jurídico espalhado sobre a mesa. O apartamento na versão real, não a versão
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