POV ZOEEu lancei um último olhar para minha filha, para Flora, para as enfermeiras, para Laura, e saí.No corredor, o silêncio entre mim e Raul veio pesado, quase físico. Descemos lado a lado sem nos tocar, sem nos olhar muito, sem dizer nada. Só quando alcançamos o hall ele falou, com aquela frieza que parecia tão natural nele quanto respirar:— Ela vai ficar bem.Olhei para ele, surpresa demais para responder na mesma hora.— Eu sei — disse por fim. — Mesmo assim, não é fácil.Raul continuou andando.— Não falei que seria.Não era consolo. Não era gentileza. Mas, no idioma emocional torto dele, talvez fosse o mais próximo disso.O trajeto até o porto passou num silêncio ainda pior.Eu tentava olhar pela janela do carro e organizar o nó dentro do peito. Nápoles passava viva do lado de fora, ruas cheias, gente apressada, buzinas, varais, mar ao longe. A cidade continuava respirando enquanto eu sentia que tinha deixado metade do meu ar naquela mansão.Raul, ao meu lado, mexia no celul
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