POV ZOE Flora me encarava com uma firmeza quase irritante, dessas que fazem a gente entender que a resposta dela já estava dada antes mesmo da pergunta terminar.— Pode — repetiu, mais baixo dessa vez. — Você pode ficar.Balancei a cabeça devagar.— Não posso, senhora. Eu não quero que a minha presença se transforme em mais um problema para a senhora. Já fez demais por mim e pela minha filha. Mais do que qualquer pessoa jamais fez. Mas eu preciso ir antes que tudo isso piore.Por um instante, Flora não respondeu. Apenas me olhou. Não com pena. Nunca com pena. Mas com aquele tipo de atenção que parecia ver até as partes de mim que eu mesma tentava esconder.— E vai para onde, Zoe?A pergunta veio calma.Simples.E, ainda assim, me acertou em cheio.Abri a boca, mas nenhuma resposta saiu. Porque não havia resposta boa. Não havia plano, não havia destino, não havia caminho pronto me esperando do lado de fora daqueles portões. Havia só a rua, o medo, a polícia, a pensão imunda, o risco d
Leer más