Ponto de vista: Lira Acordo devagar, como quem volta da beira de um penhasco, mas não abro os olhos de imediato. Fico ali, flutuando naquele escuro confortável, fazendo um inventário rápido do corpo: cabeça, presente; peito, ardendo, mas funcionando; braços, pesados; pernas, ainda minhas. O coração bate, meio descompassado, mas bate. Então estou viva. O que é quase decepcionante, considerando a dor que senti antes de apagar.Que caralho de dor foi aquela.A lembrança vem em flashes: o salão, as pessoas, o “eu, Lira, aceito sua rejeição, Nolan”, ele caindo de joelhos, o meu peito se partindo, o chão desaparecendo e, no meio disso, o toque do Eron me puxando. Só de pensar nele, meu sangue ferve de novo.Quando eu encontrar o Rei de Lata acordado e inteiro, eu mato. Só pode ter sido coisa dele: mandar eu completar a porra da rejeição, explicar bonitinho o passo a passo, como se fosse um tutorial de destruição emocional, tudo pra me punir por ter arrastado ele pro show bizarro que eu mo
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