— Você está bem? — ele perguntou, em tom neutro.— Estou… — respondeu, assentindo rápido demais.Helena puxou a cadeira ao lado da cabeceira, onde ele estava, e se sentou com certa rigidez.Nesse momento, Olga entrou, trazendo uma xícara de café fumegante. Só pelo aroma, Helena percebeu: forte, sem açúcar.Assim que Olga saiu, Eduardo falou, sem desviar o olhar:— Beba. Vai te fazer bem.O tom era autoritário, sem espaço para discussão.Eduardo parecia calmo demais para aquela manhã o que, para Helena, era ainda pior. A camisa branca impecável, a gravata azul-marinho perfeitamente ajustada, o café tomado sem pressa… tudo nele transmitia um controle frio e distante.Helena mal conseguiu encará-lo. Bebeu o café em silêncio, buscando algum alívio para a dor de cabeça, mas a tensão só aumentava. Pegou uma torrada, mas antes mesmo de dar a primeira mordida, a voz dele veio, baixa e perigosa:— Sobre ontem à noite… não tem nada para dizer?Ela congelou por um segundo, então respirou fundo.
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