ALINA “Eu preciso ir, Sra. Gomes. Vou tentar voltar outro dia” digo, tentando sorrir, mas ela fica com uma cara séria, olhando pra mim e depois pro marido, que abaixa a cabeça. “Alina... na verdade, a gente queria conversar com você sobre uma coisa”, diz ela, trocando outro olhar com o Sr. Gomes. Um frio sobe pela minha espinha. Tenho a sensação de que vem notícia ruim por aí. “O que foi?” “É que... nós vamos vender o orfanato”, ela solta, e minha expressão muda na hora. Eles só podem estar brincando. “O quê? Vocês tão falando sério?” pergunto, olhando pra Daisy no meu colo e depois pra eles. E agora? O que vai acontecer com ela quando esse lugar fechar? “Infelizmente, sim.” “M-Mas por quê? Vocês amam esse lugar! E sabem que isso—” começo a protestar, mas ela me corta. “Alina, escuta”, o Sr. Gomes fala, com a voz cansada. “A gente fez um empréstimo grande... e não conseguimos pagar. Não temos escolha. Vamos ter que vender. Sinto muito, flor. Sabemos o quanto esse lugar signifi
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