POV Katerina Sokolov A água fervendo do chuveiro não havia sido suficiente. Por mais que eu tivesse esfregado a minha pele até deixá-la em carne viva, por mais que o sabonete caro de Nikolai tivesse inundado o banheiro com o seu aroma de sândalo, eu ainda conseguia sentir, no fundo do meu ser, o rastro fantasmagórico de Victor Vance. Era uma mancha invisível, uma memória celular que parecia rir de mim a cada batida do meu coração. Saí do banheiro envolta em um roupão felpudo, os meus pés descalços afundando no tapete macio da cobertura. O quarto estava fracamente iluminado pela luz da lua que filtrava pelas cortinas de seda. Nikolai já estava deitado, encostado na cabeceira da cama imensa, lendo alguns relatórios em um tablet. Ele havia trocado o terno por uma calça de pijama escura, o peito largo e tatuado exposto, exibindo as cicatrizes que contavam a história da sua ascensão ao trono da Bratva. Quando me viu, ele deixou o tablet de lado e abriu o lençol, um convite mudo para o ún
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