POV Mikhail Morozov A morte tinha o gosto de orquídeas negras e pólvora, e eu estava perfeitamente disposto a engoli-la. Quando as minhas mãos agarraram as lapelas do terninho branco-gelo de Katerina e eu a puxei com brutalidade contra o meu corpo, cada músculo das minhas costas tensionou, aguardando o impacto do chumbo. Eu era o General Morozov, o homem que comandava o exército das ruas de Moscou, mas ali, eu estava invadindo o território sagrado de uma deusa letal. Eu esperava o tiro. Eu esperava a faca. O que eu recebi foi o céu. No milésimo de segundo em que os lábios dela se abriram, cedendo à minha invasão com uma ferocidade faminta que rivalizava com a minha, o meu cérebro simplesmente parou de funcionar. A língua dela encontrou a minha, quente, dominadora e desesperada. O gosto dela inundou os meus sentidos, apagando os anos de distância, apagando o bordel, apagando o inverno russo.
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